A ansiedade na era moderna
- Evelyn Castilho

- há 15 horas
- 1 min de leitura

A ansiedade, na contemporaneidade, deixou de se manifestar apenas como uma resposta pontual a cenários de estresse para se consolidar como um sintoma estrutural do nosso tempo. Longe de ser um mero desarranjo biológico ou um excesso de preocupação individual, o sofrimento psíquico atual está profundamente entrelaçado com a lógica da hipermodernidade.
O sujeito contemporâneo é constantemente desamparado por uma cultura que exige visibilidade, produtividade ininterrupta e uma felicidade performada. A ilusão de controle absoluto e o excesso de estímulos digitais operam como um ruído constante, saturando a capacidade do aparelho psíquico de elaborar psiquicamente as vivências.
O resultado dessa sobrecarga informativa e performativa é a sensação de um perigo iminente sem objeto definido, uma angústia flutuante. O corpo passa a somatizar aquilo que a palavra não consegue dar conta, traduzindo o esgotamento em aceleração cardíaca, distúrbios do sono e uma constante sensação de insuficiência. A impossibilidade de pausar sem experimentar um profundo sentimento de culpa revela a dificuldade do ser humano moderno em tolerar o vazio, a falta e os limites intrínsecos à própria existência.

Comentários